somos lançados na experiencia da vida sem nem um manual, talvez  por essa falta de instruções, a gente tenha aprendido a ensinar uns aos outros. e nossos primeiros professores? são aqueles que nos apresentaram ao mundo: nossos pais.

 

por serem nossos primeiros professores, acreditamos que eles sabem de tudo.   depositamos neles o grande papel de experts no assunto da vida. tendemos, sem perceber, a crescer olhando a vida pela lente deles. o que é certo, o que é errado, o que é amor, o que é dor. no começo, parece que só existe um jeito de sentir, de se relacionar, de existir.
 

então, repetimos. afinal, é isso que aprendemos. 

 

em um relacionamento, por exemplo, podemos reagir a brigas da mesma forma que vimos em casa. reproduzimos silêncios, explosões, gestos de carinho ou de afastamento sem nem perceber, e  claro que tudo isso tem consequências positivas e negativas. porém, quando nos damos conta desse negativo, percebemos que talvez essa não seja a forma mais funcional e saudável de se relacionar com o mundo, e é assim que percebemos que nossos pais, de algum modo, “erraram”.  

 

a descoberta de que nossos pais não são experts e sim pessoas tentando acertar, pode trazer um turbilhão de sentimentos. raiva, tristeza, confusão. como se o chão saísse um pouco do lugar. mas talvez esse desmoronamento seja, na verdade, um convite: e se, em vez de buscar culpados, buscássemos compreender?

 

isso não significa romantizar dores ou ignorar feridas e também não exige uma máquina do tempo mirabolante para voltar no passado e passar uma borracha em tudo. sabe por que? porque você consegue ressignificar, e esta palavra não é sinônimo de apagar, é transformar, é deixar que essa ferida pare de doer e de te incomodar tanto. é olhar para trás com novos olhos e perceber que nossa história não precisa ser uma sentença, mas um território vivo, onde podemos plantar novas possibilidades.

 

e agora? como ressignificar?

 

bem, não há uma fórmula exata. mas talvez o primeiro passo seja conhecer e fazer as pazes com sua própria história. olhar para ela com respeito, dignidade, com coragem para acolher sua vulnerabilidade e sentimentos. esse olhar no ajuda a transformar a forma como nos relacionamos com quem somos e com o mundo ao nosso redor. 

 

se não tem manual, como saber se estou no caminho certo?


talvez a ausência de um roteiro seja um convite para entender que a vida não tem um único jeito de ser vivida. falando um pouco sobre o existencialismo fenomenológico, ele nos ensina que não existe um destino fixo e que existimos na construção. somos atravessados por possibilidades o tempo todo. algumas fazem sentido, outras não.

 

e como descobrir o que funciona para a gente? autoconhecimento.

 

a resposta é simples. o processo… nem tanto.

 

o autoconhecimento vem na prática a gente aprende vivendo (e pode ser acelerado com as Ferramentas certas). são as nossas dores, alegrias, cicatrizes e curativos que nos mostram o que faz sentido. olhar para nossa história com gentileza nos ajuda a perceber que o passado nos atravessa, mas não nos define.

 

é entender que, como dito no podcast, Para que Não Percais os Miolos ep 24, “trauma inibe nossa autenticidade”, mas a consciência nos devolve o poder. quando entendemos as raízes de onde viemos, ganhamos a chance de escolher para onde queremos ir.

 

no final das contas, eu, você, nossos pais, somos todos frutos da história que vivemos, e esse é nosso maior chamado para enxergar mil novas possibilidades. 
e ai você esta pronto para ouvir esse chamado? o que sua história ensina sobre você e a forma como você lida com o mundo? talvez seja hora de acolher a sua narrativa, porque dentro dela, eu tenho certeza que tem muito mais força do que você imagina. 

 

 

  exercício para essa semana:  Árvore da Vida

 

essa dinâmica é baseada nos princípios da terapia narrativa (White, 2007), ela possui algumas etapas para  te auxiliar no processo de autoconhecimento e de entendimento da sua história. 

 

Árvore da vida: desenhe uma árvore seguindo essas instruções: 

  • Raízes da árvore: espaço para escrever de onde você vem, a historia da sua família e seus costumes..
  • Terreno: é seu presente, onde você mora e atividades que fazem parte da sua rotina
  • Tronco da árvore: Capacidades, habilidades e valores
  • Galhos: São suas expectativas e sonhos.
  • Folhas da árvore: Pessoas que são importantes para você (as que estão aqui e ou as que já se foram também)
  • Frutos: Ensinamentos que vocês receberam e o que querem deixar de legado

   dicas de filmes: 

  • Pequena Miss Sunshine: uma jornada sobre aceitação, fracassos e o valor das relações familiares.
  •  As Vantagens de Ser Invisível: explora traumas, autoconhecimento e a busca por identidade.
  •  Soul: explora o sentido da vida e a importância de estar presente no agora.